FBohne Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas… continuarei a escrever. *

9mar/100

Assim caminha….

O maior flagelo da humanidade não é a fome, a miséria, as doenças. Nem é o famigerado aquecimento global, o degelo dos glaciares ou a elevação do nível do mar. Isso é tudo reflexo. Reflexo da nossa postergação.

Deixamos tudo para depois. Deixamos de levar o lixo para a calçada, deixamos de cortar a grama, deixamos de colocar aquele mau caráter no devido lugar. Deixamos de nos preocupar com o nosso ecossistema. Nem falo da emissão de gás carbônico na atmosfera, afinal sou simpatizante dos climatologistas que dizem que essa é a piada do século (e olha que ele recém começou).

Falo de cuidar do nosso ecossistema no sentido mais egoísta da idéia. Temos que preservar o que está a nossa volta. Temos que manter nosso quintal em ordem. Mas tudo que se vê é uma espécie com inteligência duvidosa que levanta suas casas em terreno instável, que entope o caminho das águas da chuva com lixo e que mora ao lado de córregos lotados de esgoto. (Estou melhorando.. Nem falei em merda.).

E por qual motivo devemos preservar nosso ecossistema? É ele a menor porção do nosso mundo e nem dele cuidamos. Depois, como diz George Carlin, querem salvar tudo... "Save the trees; save the bees; save the whales; save those snails."

Nos tornamos produtores de tecnologia, sequer a aproveitamos. Ficamos enterrados dentro de um bloco de concreto, geralmente achando que sabemos como os outros devem viver. Esquecemos o sol no horizonte e a única janela que temos eh um super-hyper-mega-lcd-led-plasma de oitenta polegadas..... .....wide.

Competição é outra coisa interessante. Antes haviam contendas, duelos, guerras. Hoje conseguiram burlar a máxima de que "a pena é mais forte que a espada". Nos dias de hoje, a língua é que vence a espada. E não falo de diplomacia, mas de intriga.

Quanto mais centrados e curvados sobre nossos umbigos, menos iremos cuidar do que nos cerca.

Mas talvez seja esse o segredo. A espécie humana se implodindo em mediocridade e com o tempo vai sumir e deixar o planeta em paz.

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7mar/10Off

Ficção e Realidade

Houve uma época não tão distante que eu tinha bastante tempo livre. Naquela época, bonde era ônibus antigo que trafegava sobre trilhos nas principais ruas de Porto Alegre. Mais tarde tiraram os bondes com o argumento que eles estavam presos aos trilhos e colocaram os ônibus. Hoje eles trafegam em corredores exclusivos. Mas isso é outra história.

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6mar/10Off

Oscar 2010

Todos os anos eu prometo assistir aos filmes "oscarizáveis". Fazem dez anos que não cumpro o prometido. Mas nessa temporada até que não me saí mal. Consegui assistir Avatar, Bastardos Inglórios, Distrito 9, Star Trek, Up, Sherlock Holmes e Transformers.

Não arrisco dizer quem vence em qual categoria, mas minha torcida vai para Bastardos Inglórios. O Tarantino me surpreendeu dessa vez. Fui ver o filme esperando uma carnificina desenfreada, onde os nazistas eram chacinados e esquartejados como se fosse uma linha de produção de um matadouro. Posso ser culpado por isso? Contrariando estas espectativas, as cenas de violência ficaram implícitas (salvo uma ou outra cena). A fotografia que mesclava os antigos filmes de guerra e os filmes Noir foi na medida certa.

Outro ponto que justifica torcer para o Tarantino e seus Bastardos: Christoph Waltz, o Coronel Hanz Landa. Como se pode gostar tanto de um personagem vil como aquele? Os diálogos que Waltz se responsabilizou em interpretar são hipnóticos (recomendo tirar as legendas nessas cenas, apreciem no original). A cena da cabana do francês é inesperada. Aquele clichê quebrado pela gargalhada de Waltz/Landa quando a espiã conta a história da perna engessada é o que sempre se esperou: "Será que ninguém percebe uma desculpa esfarrapada?". Coronel Landa, sim!

Se há espaço para mais uma expectativa, essa vai para o Distrito 9. O filme é um experimento antropológico bizarro, que poderia acontecer com qualquer cultura que se confrontasse com outra. Explora toda a dualidade que existe no coração do ser humano. O ator principal, Sharlto Copley, transita do preconceito à tolerância por diversas vezes. O próprio filme começa como um documentário, impondo uma distância do espectador ao extraterrestre, como se ambos estivessem ali, no mesmo universo.

Enfim, esperemos pela entrega das estatuetas.

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25fev/10Off

Frase certa.

Nunca uma frase caiu tão bem quanto agora. Justo quando o troco está para ser dado.

"Para derrubar uma árvore rapidamente, tem que se afiar o machado lentamente."

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12fev/10Off

Forno Alegre, Olê-Olá

Porto Alegre costumava ser um paraíso durante os meses de janeiro e fevereiro. O povo todo ia para a praia. Sair de carro era como estar em um daqueles filmes apocalípticos: ninguém.

Até a vagabundagem ia roubar nas praias.

Hoje a coisa mudou. Muita gente fica na cidade. Talvez pelo estilo de trabalho que tenha mudado ou essa geração saturou de ir para o litoral em todo o feriado ou nas férias. A coisa já estava tão automática que nem sabiam mais porque estavam indo. Talvez pelo calor que tenha feito, onde o ar-condicionado em casa é muito mais barato e convidativo do que os dias mormacentos em alguma cidade do litoral, abarrotada de gente.

E a volta! Ahhh, o retorno da praia está mais complicado ainda. Com dois anos seguidos de redução de IPI, a horda de carros que retorna a Porto Alegre é cataclismica.

O negócio é ficar em casa, quietinho, no ar-condicionado e sem ligar a televisão. Não há quem aguente quatro dias de ziriguidum-balacubaco.

Olhando pela janela, vejo nuvens no horizonte. Acho que vão precisar de Carros Alegóricos anfíbios.

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