FBohne Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas… continuarei a escrever. *

2jan/10Off

Discriminação

No dia 31/01, um jornalista de uma renomada rede de televisão, mais uma vez deu exemplo da discriminação que corre solta no nosso país. Depois que dois garis fizeram votos de feliz ano novo entra a vinheta da emissora, mas o áudio no estúdio continua aberto. Se ouve: "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho". Ontem, esse senhor vem a público no mesmo programa e com a cara mais tranquila do mundo, diz: "Ontem, durante o intervalo do 'Jornal da Band', em um vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, que ofendeu os garis. Por isso, quero pedir profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do 'Jornal da Band'".

O que mais me choca é que o referido jornalista é descendente de judeus. Ele, mais que ninguém, deveria entender o quão grave é isso (ter ofendido os garis, não o fato de ser judeu). E por esse motivo a punição devia ser severa. Mas estamos em Pindorama, abaixo da linha do Equador, onde não existe pecado. Aqui tudo se pode e ninguém é responsável por nada.

A realidade é que todos somos preconceituosos. Não digam que não. Negá-lo é negar a própria espécie. O fato de termos uma infinidade de organizações que defendem as ditas minorias já é uma prova. E paradoxalmente, são estas mesmas insituições que reforçam as discriminações; tanto contra o grupo de pessoas que defendem, quanto de dentro para fora. Discriminam as outras pessoas pela sua própria condição de vítima.

Claro. Esse imbecil triste comentário pode ser fruto da mania que muitos brasileiros tem de fazer graça. A alguns anos não foi dito por um jornalista doutra emissora: "Ballet é coisa de viado..."?, ou até um comentário do atual presidente de um país sul-americano que disse com todoas as letras que uma determinada cidade do sul do seu país era uma "cidade pólo", "exportadora de viado".

Mas o que esperar de um país que cria quotas em universidades para negros e índios? Isso nada mais é que um reforço à discriminação. Querem deixar estes cidadãos bem caracterizados como minoria.

Em contrapartida, eu, um cidadão comum e anônimo não posso dizer uma piada de judeu ou argentino. Não posso chamar um amigo meu que é negro em um momento de descontração, de crioulo ou negrão. Nem vou tocar no assunto sobre discriminação das mulheres.

Espero que apareça um advogado (e também não farei piadas discriminatórias dessa profissão) e oriente estes dois garis, para que pelo menos arrumem as suas vidas tirando uma boa fatia das rendas desse augusto jornalista (sic).

Vejam bem. O problema não é ser preconceituoso. Você gosta ou não gosta de algo ou alguém e pronto. É o teu direito. Mas ninguém disse que não precisa respeitar o teu próximo. Não precisas externalizar o teu preconceito. A isso damos o nome de tolerância. Sem ela, perdemos o controle; como foi o caso que deu origem a este post.

Sejamos tolerantes com credos e cores. O que não devemos ser é tolerantes com pessoas que nos cercam e não tem o menor caráter. Falam coisas boas na tua frente e te caluniam pelas costas e ainda mantem a imagem de bons pais e conjuges, trabalhadores e repositórios dos bons costumes. Enchem a boca para criticar atos como corrupções, crimes e traições, e (com o perdão do termo) não olham para o próprio rabo.

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