FBohne Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas… continuarei a escrever. *

7mar/10Off

Ficção e Realidade

Houve uma época não tão distante que eu tinha bastante tempo livre. Naquela época, bonde era ônibus antigo que trafegava sobre trilhos nas principais ruas de Porto Alegre. Mais tarde tiraram os bondes com o argumento que eles estavam presos aos trilhos e colocaram os ônibus. Hoje eles trafegam em corredores exclusivos. Mas isso é outra história.

Falava eu que bonde naquela época não era o mesmo bonde de hoje. Bonde hoje é um grupelho que não anda nos trilhos de maneira alguma. Dizia também que tinha mais tempo, tanto pelos compromissos reduzidos quanto pela vida ser mais simples. Época em que maconha era a droga da vez e o LSD e Cocaína era coisa de burguês. Mas para combinar com o estigma de país do futebol, hoje temos o craque. Até as vovós estão vendendo.

Neste tempo livre, gostava de frequentar a Biblioteca Pública na Praça da Matriz, que hoje parece ter permanentemente se fechado para reformas. Gostava dos sebos na Duque de Caxias e Riachuelo, lugares com aura sagrada onde o dono nos olhava com temor e desconfiança. Ali aprendi a comprar luvas cirúrgicas na Ruthner, descida da Dr. Flores, depois do dono do sebo mostrar o que os fungos fazes às unhas. Dias de calor, nem pensar em entrar ali. Os fungos ganhavam asas. Contudo, em dias de chuva, achávamos muitas raridades. Em um destes sebos eu achei um "El Ingenioso Hidalgo Don Quixote De La Mancha". Ainda que não fosse a edição em espanhol clássico, mantinha a mesma capa histórica. Está hoje nas boas mãos de uma ex-professora.

A livraria do Globo também era um templo na mesma quadra de outro templo. As Casas Masson. Me dói de lembrar o destino. Na Globo me sentia em casa. Era um dos poucos lugares em Porto Alegre, nos idos de 1980 em que se podia ler sentado no chão. A velha guarda ainda reinava ali. Contemporâneos de Erico Verissimo. E acho que esse senhor ainda vela pela querida livraria, pois continua aí, com a teimosia de um adolescente.

Foi na Globo, depois das inúmeras reformas e ameaças de fechar as portas, que eu achei uma enciclopédia do seriado Star Trek. Nem lembro que ano foi. Lembro que continha os uniformes, divisas, ensignias e as naves. Da Enterprise ao mais simples transporte.

Fui lembrar disso, lendo a página das missões da NASA. Aquilo daria uma bela enciclopédia de SciRe (Realidade Científica). Visite: NASA Jet Propulsion Laboratory: Missions.

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