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8 outubro 2008

Incoerências, incongruências e inconsistências

O Rafael Jeffman fez um breve apanhado sobre as alianças políticas e os novos partidos que advém destas alianças; e os absurdos ideológicos e paradigmáticos (sic)!
Acabei associando a isso um caso recente, que não vou nomear ou citar os envolvidos por não fazer a mínima diferença aqui. Vamos deixar no campo genérico. Quem acompanha as notícias vai saber do que estou falando.
Entra um partido Px no governo, depois de uma eleição estranha com gente esquisita (Renato que me perdoe o uso do verso), onde todos pensavam que o partido Pz iria ganhar. Uma zebra. A verdade é que chegaram onde chegaram e ficarão até o último dia de mandato. Respeitemos a democracia.
Afinal, diabos, tenho feito isso a muito tempo. Governos entram e saem. A maioria, os que não votei, por não acreditar nem nas idéias nem nas pessoas; e nos que votei, acabei caindo nesta mesma conclusão em dois ou três anos.
A verdade é que a luta é pelo poder, não pelo Estado. Estão derrubando acessores, deputados, secretários; não por motivos morais ou éticos, mas por cargos. Cai um, entra outro. E muitas vezes perde-se alguém que realmente tem talento para implantar melhorias em uma estrutura gasta e viciada. O interesse é preencher cargos que poderão dar uma alavancada em suas vidas políticas.
Enquanto isso, do outro lado de Gotham, o tráfico domina a periferia; as instituições que acolhem os menores estão ruindo. Ineficazes. A cada gestão, pintam-se os prédios e mudam-se os nomes. Lá dentro, o mesmo.
Hoje saiu no jornal: Decretada emergência nos presídios. Chamem os orgãos responsáveis! Montem forças-tarefa! Temos que colocar uma massinha corrida nas rachaduras e socar uma ou duas mãos de tinta nas fachadas.
Enfim, a incoêrencia está instaurada neste país e pouca ou nenhuma coisa podemos fazer.
A pergunta de um milhão: “Qual é a coisa que faria o brasileiro acordar?”.
Discordo do Jeffman quando ele fala em campanha pelo voto facultativo. Em primeiro lugar, faz tempo que o brasileiro não tem espírito cívico. Noções de patriotismo só em jogos Brasil/Argentina. Imagine facultar o voto. Enorme evasão, e os poucos que votariam seriam… Um pirulito para quem adivinhar.
Em segundo lugar, já não existe um voto facultativo velado? Gente que vai votar para se livrar da obrigação?
Os reacionários se escandalizam quando eu digo: que saudade do MDB e da Arena. Claro que não estou enaltecendo o regime militar, que se for analisado na ponta do lápis foi uma péssima escolha (salvo por alguns detalhes de infra-estrutura). Mas temos muitos partidos políticos neste país. São 27 partidos, um partido para cada estado brasileiro. E o engraçado é acompanhar o pula-pula dos políticos: “Ahh, não sou mais liberal, sou socialista. Não, não! Agora sou comunista! Viva Guevara!”. Essas migrações não passam de movimentos de um grande jogo de xadrez. Movimentos que deixam os peões cada vez mais perto do outro lado do tabuleiro, para virarem um bispo, ou quem sabe uma rainha.
Um dia o filho do filho do meu filho vai perguntar: “Pai, o que é um político?”. Bom, guri, no tempo do teu bisavô…..

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