Todos os anos eu prometo assistir aos filmes “oscarizáveis”. Fazem dez anos que não cumpro o prometido. Mas nessa temporada até que não me saí mal. Consegui assistir Avatar, Bastardos Inglórios, Distrito 9, Star Trek, Up, Sherlock Holmes e Transformers.
Não arrisco dizer quem vence em qual categoria, mas minha torcida vai para Bastardos Inglórios. O Tarantino me surpreendeu dessa vez. Fui ver o filme esperando uma carnificina desenfreada, onde os nazistas eram chacinados e esquartejados como se fosse uma linha de produção de um matadouro. Posso ser culpado por isso? Contrariando estas espectativas, as cenas de violência ficaram implícitas (salvo uma ou outra cena). A fotografia que mesclava os antigos filmes de guerra e os filmes Noir foi na medida certa.
Outro ponto que justifica torcer para o Tarantino e seus Bastardos: Christoph Waltz, o Coronel Hanz Landa. Como se pode gostar tanto de um personagem vil como aquele? Os diálogos que Waltz se responsabilizou em interpretar são hipnóticos (recomendo tirar as legendas nessas cenas, apreciem no original). A cena da cabana do francês é inesperada. Aquele clichê quebrado pela gargalhada de Waltz/Landa quando a espiã conta a história da perna engessada é o que sempre se esperou: “Será que ninguém percebe uma desculpa esfarrapada?”. Coronel Landa, sim!
Se há espaço para mais uma expectativa, essa vai para o Distrito 9. O filme é um experimento antropológico bizarro, que poderia acontecer com qualquer cultura que se confrontasse com outra. Explora toda a dualidade que existe no coração do ser humano. O ator principal, Sharlto Copley, transita do preconceito à tolerância por diversas vezes. O próprio filme começa como um documentário, impondo uma distância do espectador ao extraterrestre, como se ambos estivessem ali, no mesmo universo.
Enfim, esperemos pela entrega das estatuetas.